Ibn Sina - Kteb al Nafs
Ibn Sina (ou Avicena, como é mais conhecido por aqui) foi um filósofo persa do século X/XI d.C. Seu nome completo era Abu Ali Al Hussayn Ibn Abd Allah Ibn Al Hasan Ibn Ali Ibn Sina. Sim, era um nome estupidamente grande :D
Uma de suas obras mais famosas foi o Kteb al Nafs, ou o Livro da Alma, no qual ele apresenta a melhor imagem da alma humana até hoje.
Ele escreveu muitos outros livros, chegou a atingir 276 obras no catálogo de Anawati. Entre os mais famosos está também o Al Shifa, uma enciclopédia que agrupava quase todo conhecimento de sua época.
Mas, deixando o Al-Shifa um pouco de lado, o post é sobre a imagem da alma humana feita por Ibn Sina no Kteb al Nafs.
Ibn Sina propôs que a alma possui dois lados: um voltado para o corpo e é encarregado da faculdade do agir e outro voltado para os princípios supremos e é encarregado da faculdade de conhecer.
Assim temos duas faculdades da alma: o intelecto prático (voltado para o corpo) e o intelecto teórico (voltado para a alma). Os dois, formam algo uno, mas que relacionam duas realidades distintas sendo uma acima (teórica) e outra abaixo (prática).
Segundo Ibn Sina, "pelo lado inferior nascem os hábitos morais" e "do lado superior nascem as ciências".
Baseado nisso, Ibn Sina define a filosofia em:
"A filosofia tem como fim informar acerca das verdades de todas as coisas, na medida do possível, ao homem.
As coisas existentes, por sua vez, existem sem depender de nossa vontade ou por nossa vontade e atividade. Ao conhecimento das coisas pertencentes a primeira divisão, chamamos de filosofia teórica e ao conhecimento das coisas pertencentes a segunda divisão, chamamos de filosofia prática.
O fim da filosofia teórica é preparar a alma para o conhecer e o fim da filosofia prática é aperfeiçoar a alma, não para o simples conhecer, mas conhecer o que deve ser feito e fazê-lo. Assim, o fim da filosofia teórica é a aquisição de uma opinião que não é prática, ao passo que o fim da filosofia prática é conhecer uma opinião prática.
Na direção e comando do corpo está o intelecto prãtico, que dirige o homem nos seus atos particulares tais como ações morais e políticas, acriação das artes e outrs ações realizadas em sociedade. Na outra direção, o intelecto teórico busca o conhecimento e as verdades supremas. Se, por um lado, o intelecto prático deve ser guiado pelo intelecto teórico, por outro, deve guiar todas as outras faculdades da alma e não se deixar guiar por elas. Se isto acontecer, corre-se o risco de criar hábitos morais vis por uma inversão de hierarquias de faculdades.
Assim, o intelecto prático guia o corpo, mas não o faz de modo totalmente independente do intelecto teórico, pois este, em conexão com o lado superior e sob os influxos da inteligência agente, recebe e adquire constantemente o efeito do que está acima dele, para que a ação humana se guie pela verdade, em vista do bem." – Ibn Sina
Uma de suas obras mais famosas foi o Kteb al Nafs, ou o Livro da Alma, no qual ele apresenta a melhor imagem da alma humana até hoje.
Ele escreveu muitos outros livros, chegou a atingir 276 obras no catálogo de Anawati. Entre os mais famosos está também o Al Shifa, uma enciclopédia que agrupava quase todo conhecimento de sua época.
Mas, deixando o Al-Shifa um pouco de lado, o post é sobre a imagem da alma humana feita por Ibn Sina no Kteb al Nafs.
Ibn Sina propôs que a alma possui dois lados: um voltado para o corpo e é encarregado da faculdade do agir e outro voltado para os princípios supremos e é encarregado da faculdade de conhecer.
Assim temos duas faculdades da alma: o intelecto prático (voltado para o corpo) e o intelecto teórico (voltado para a alma). Os dois, formam algo uno, mas que relacionam duas realidades distintas sendo uma acima (teórica) e outra abaixo (prática).
Segundo Ibn Sina, "pelo lado inferior nascem os hábitos morais" e "do lado superior nascem as ciências".
Baseado nisso, Ibn Sina define a filosofia em:
"A filosofia tem como fim informar acerca das verdades de todas as coisas, na medida do possível, ao homem.
As coisas existentes, por sua vez, existem sem depender de nossa vontade ou por nossa vontade e atividade. Ao conhecimento das coisas pertencentes a primeira divisão, chamamos de filosofia teórica e ao conhecimento das coisas pertencentes a segunda divisão, chamamos de filosofia prática.
O fim da filosofia teórica é preparar a alma para o conhecer e o fim da filosofia prática é aperfeiçoar a alma, não para o simples conhecer, mas conhecer o que deve ser feito e fazê-lo. Assim, o fim da filosofia teórica é a aquisição de uma opinião que não é prática, ao passo que o fim da filosofia prática é conhecer uma opinião prática.
Na direção e comando do corpo está o intelecto prãtico, que dirige o homem nos seus atos particulares tais como ações morais e políticas, acriação das artes e outrs ações realizadas em sociedade. Na outra direção, o intelecto teórico busca o conhecimento e as verdades supremas. Se, por um lado, o intelecto prático deve ser guiado pelo intelecto teórico, por outro, deve guiar todas as outras faculdades da alma e não se deixar guiar por elas. Se isto acontecer, corre-se o risco de criar hábitos morais vis por uma inversão de hierarquias de faculdades.
Assim, o intelecto prático guia o corpo, mas não o faz de modo totalmente independente do intelecto teórico, pois este, em conexão com o lado superior e sob os influxos da inteligência agente, recebe e adquire constantemente o efeito do que está acima dele, para que a ação humana se guie pela verdade, em vista do bem." – Ibn Sina
